
Mais uma vez o amor. Como o amor pode transformar as pessoas e nos tornar ainda mais humanos. Enfim... Eu li isto na aba do livro. Não que seja difícil perceber, inclusive porque Memórias de Minhas Putas Tristes é a história de um senhor de 90 anos que se apaixona pela primeira vez na vida, por uma garota de 14.
O negócio é que o autor me pegou pela tangente do assunto e jogou na minha cara a intolerância do tempo, as amarguras da Terceira Idade e a consciência da morte. E tudo isso poderia ter passado em branco e preto pelos respiros entre fontes e parágrafos, não fosse a minha convivência com dois senhores de 77 anos: meus pais. Por conta disso, o que deveria ser o romance entre um senhor putanheiro e uma adolescente virgem, virou um caso de amor entre a Morte e a Vida.
Meu pai é um homem que não soube envelhecer e não aceita o ciclo da natureza. Enquanto minha mãe passa os dias preocupada com coisas da vida, ele arrasta os pés pela casa preocupado com o momento da morte.
"Não tenho muito tempo". "A vida passa rápido demais. Aproveite". "Não sirvo mais para muita coisa". "Sou um homem decadente". "Ninguém quer morrer." Frases que eu escuto constantemente no convívio com meus pai desde que ele tem 50 anos, sempre molhadas de mágoa, como se a vida fosse uma grande sacanagem.
Desde os 50 anos de idade, veja você. E agora ele está com 77, gozando de boa saúde, sem nem ao menos uma restrição alimentar.
Quantos anos perdidos de angústia com crises de depressão pelo medo de morrer? 27 anos. Meu pai tem tanto medo da morte, que deixa de viver. Não é absolutamente irracional?
Um brinde a Gabriel García Márquez, um homem que sabe viver.
2 comentários:
"quem sabe a vida é não sonhar...
bobeira e não viver a realidade..."
dos livros que li do Gracia Marquez esse ai não gostei.
mas ele sabe viver parece ne...
por outro lado tem uma pesoazinha, que escreve um blog que também tem, ou tinha esse costume, de perder de fazer coisas, de viajar entre outras porque não tem companhia, que ficava triste com medos e bobeiras...
conheço sim,
mas parece que uma viagem para apraia esta mudando muita coisa...
goshtei
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